Escândalo bilionário do Banco Master expõe bastidores do poder e chega ao coração do STF

Published On: 02/02/2026 19:30

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Depoimento de Daniel Vorcaro revela relações políticas, rombo de R$ 47 bilhões e amplia crise institucional envolvendo autoridades com foro privilegiado

Um dos maiores escândalos financeiros recentes do país ganhou novos contornos em 2026, ao alcançar diretamente o Supremo Tribunal Federal e expor conexões entre o sistema bancário, o alto escalão da política e órgãos de controle. A retirada do sigilo do depoimento de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, pelo ministro Dias Toffoli, trouxe à tona detalhes de uma investigação que apura um rombo estimado em R$ 47 bilhões e colocou em evidência relações que atravessam os Três Poderes.
O depoimento, prestado à Polícia Federal em 30 de dezembro e gravado ao longo de cerca de três horas na sede do STF, mostra um Vorcaro à vontade diante dos investigadores. Em tom informal, chegou a brincar com um agente, afirmando que vinha sendo “perseguido” desde 2019, enquanto tentava justificar a situação financeira da instituição.
Em meio às explicações, o banqueiro negou possuir influência política suficiente para interferir no caso, mas admitiu manter relações próximas com autoridades. “Tenho amigos de todos os Poderes”, declarou, ao mesmo tempo em que disse não poder citar nomes de pessoas que frequentavam sua residência.
Outro ponto sensível do depoimento envolve a tentativa de venda do Banco Master ao BRB. Vorcaro afirmou que o Banco Central teria incentivado a negociação e que informou às autoridades sobre a intenção de operar créditos originados por terceiros  versão posteriormente contestada pelo ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Os dados apresentados pela própria autoridade monetária aprofundaram a gravidade do escândalo. Segundo Ailton Aquino, diretor do Banco Central, o Master possuía apenas R$ 4 milhões em caixa no momento da liquidação, um valor considerado incompatível com a alegação de R$ 80 bilhões em ativos divulgada pelo banco.
Com a divulgação das gravações, o caso ganhou dimensão institucional. Embora o ministro Dias Toffoli tenha mencionado a possibilidade de o processo retornar à primeira instância, o futuro da investigação permanece indefinido. A principal variável agora está nos celulares apreendidos de Vorcaro e de seus aliados.
Caso os aparelhos revelem menções a deputados, senadores ou outras autoridades com foro privilegiado, o processo tende a permanecer no Supremo, mantendo o escândalo no centro do Judiciário e ampliando a crise de credibilidade que envolve parte da elite política brasileira.

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