Ásia em alerta: antigo vírus Nipah ressurgiu com casos na Índia e reacende temores sanitários
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Surto limitado na Índia leva países asiáticos a reforçar triagens e protocolos de saúde, apesar de OMS classificar risco internacional como baixo
O ressurgimento de casos do vírus Nipah (NiV) na Índia voltou a colocar autoridades de saúde da Ásia em estado de alerta, reacendendo termos como triagem em aeroportos e quarentena no vocabulário público após a pandemia da Covid-19.
Na última semana, foram relatados casos confirmados da infecção por Nipah no estado de Bengala Ocidental, incluindo profissionais de saúde, o que motivou medidas de vigilância em vários países vizinhos.
O Nipah é um vírus zoonótico transmitido principalmente por morcegos frutíferos e pode infectar humanos através de contato direto com animais ou alimentos contaminados como frutas ou seiva de palma contaminada. Casos de transmissão entre humanos também já foram documentados em ambientes de cuidado médico ou entre familiares em contato próximo.
O agente infeccioso preocupa por sua alta taxa de letalidade, que costuma variar entre 40% e 75% nos surtos conhecidos, e pela ausência de vacina ou tratamento específico aprovado até o momento.
Apesar disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliou que, com base nas informações atuais, o risco de espalhar o vírus para além da Índia é considerado baixo, e não recomenda restrições de viagem ou comércio. Autoridades sanitárias do país asiático identificaram e testaram centenas de contatos próximos dos casos confirmados, sem detecção de novos infectados, um sinal de contenção nas fases iniciais.
Ainda assim, como medida de precaução, alguns países asiáticos reforçaram verificações de saúde em aeroportos, com triagem de passageiros, declarações de saúde e verificações de temperatura para minimizar qualquer risco de disseminação internacional.
O alerta ocorre pouco antes do Ano Novo Lunar, um período de intensas movimentações populacionais e viagens internas em países como a China, reforçando a preocupação das autoridades em não permitir que um surto localizado se transforme em um problema sanitário mais amplo na região.
Especialistas destacam que, apesar da letalidade, o Nipah não se propaga com a mesma facilidade pelo ar que vírus como a SARS-CoV-2, e medidas tradicionais de vigilância e controle como rastreamento de contatos e isolamento de casos continuam sendo ferramentas cruciais para conter a infecção.
O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez no final dos anos 1990 na Malásia e em Singapura, e desde então surtos esporádicos têm ocorrido principalmente no Sul e Sudeste Asiático incluindo Índia e Bangladesh em ciclos que podem estar associados a hábitos culturais e interações próximas com reservatórios animais.

