Davos começa sob tensão geopolítica e mercados atentos a Trump

Published On: 20/01/2026 07:54

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Fórum Econômico Mundial reúne líderes globais enquanto ameaças de tarifas entre EUA e União Europeia elevam o risco de instabilidade econômica

Teve início nesta segunda-feira o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, reunindo chefes de Estado, autoridades, investidores e mais de 850 presidentes de grandes empresas globais. A pequena cidade nos Alpes volta a se transformar no centro das atenções do mercado internacional, com a chegada de executivos de peso, como os CEOs da Nvidia e da Microsoft, além de representantes dos maiores fundos e bancos do mundo.
Apesar da diversidade de temas e lideranças presentes, o principal foco das discussões gira em torno do discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previsto na agenda oficial para a próxima quarta-feira. A expectativa é que Trump trate de assuntos sensíveis, como tarifas comerciais, relações com a União Europeia, OTAN, Groenlândia, Irã e Venezuela, além de declarações sobre o comando do Banco Central americano.
O clima, no entanto, ganhou novos contornos de tensão após parlamentares da União Europeia avaliarem a imposição de tarifas que podem chegar a 93 bilhões sobre produtos dos Estados Unidos. A reação ocorre depois de Trump sinalizar a adoção de tarifas adicionais de 10% contra países da OTAN que apoiaram a Groenlândia, o que pode inaugurar mais um capítulo de embates comerciais entre o bloco europeu e a maior economia do mundo.
Na prática, o risco de uma escalada tarifária reacende temores nos mercados globais. Analistas já falam em um ambiente de forte volatilidade nos próximos dias, com investidores adotando postura defensiva enquanto aguardam sinais mais claros sobre os rumos da política econômica internacional discutida em Davos.

Brasil no radar

No cenário doméstico, o noticiário político e econômico também segue intenso. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, negou pedido de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ressaltando que a solicitação foi feita por um advogado que não integra oficialmente a defesa.
Na área econômica, os Correios avaliam a possibilidade de captar mais R$ 8 bilhões por meio de novo empréstimo ou aporte da União, como forma de sustentar o plano de reestruturação da estatal. Já no campo administrativo, mais de 323 mil motoristas tiveram a carteira de habilitação renovada automaticamente em 2026, após a entrada em vigor da nova regra para bons condutores.
Ainda no Judiciário, o ministro Dias Toffoli determinou a quebra de sigilo fiscal e bancário de 101 investigados em supostas fraudes envolvendo o Banco Master, além do bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens. Paralelamente, o Fundo Garantidor de Crédito iniciou os pagamentos aos credores do banco, embora apenas uma parcela dos investidores já tenha concluído o processo de solicitação.
Entre Davos e Brasília, o cenário aponta para dias de decisões estratégicas, com reflexos diretos na economia global e nacional.

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