Parceria impulsiona educação antirracista nas escolas do DF
Compartilhar
Iniciativa entre Secretaria de Educação e OAB-DF fortalece inclusão da história e cultura afro-brasileira no currículo; política visa formar estudantes críticos e favorecer uma sociedade mais justa
O Distrito Federal avança em uma política pública estruturada de educação antirracista que parte da própria sala de aula, reconhecendo que nenhuma criança nasce racista, mas aprende preconceitos quando o tema não é debatido de forma contínua e integrada no ambiente escolar.
Nesta segunda-feira (5), a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) e a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal (OAB-DF) formalizaram uma parceria institucional que prevê o reforço e a monitorização da aplicação da Lei Federal nº 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas públicas.

Segundo a secretária de Educação, a aliança vai além do cumprimento legal e busca consolidar um horizonte de justiça social, estimulando a formação de estudantes capazes de pensar criticamente, valorizar a diversidade e combater estereótipos raciais presentes na sociedade.
Para o presidente da OAB-DF, Paulo Maurício, a parceria representa um passo fundamental para que a educação antirracista deixe de ser uma ação pontual e passe a integrar de forma permanente a rotina pedagógica da rede pública. “Estamos falando de educação como instrumento real de transformação social e de promoção da igualdade”, afirmou.
Política antirracista em ação
A iniciativa prevê, entre outras ações, a formação continuada de professores e gestores escolares em temas como Educação para as Relações Étnico-Raciais, além de abordagens pedagógicas que valorizem as identidades e contribuições dos povos afro-descendentes. Essas formações já estão em desenvolvimento na rede, com foco em empoderar docentes para atuar como multiplicadores dessa consciência em sala de aula.
Especialistas em educação afirmam que políticas antirracistas são essenciais para desconstruir preconceitos internalizados e construir práticas educativas que valorizem a diversidade cultural do Brasil um país que vive um legado histórico de desigualdades raciais e onde o letramento racial tem papel central na formação de cidadãos críticos.
Educação transformadora para uma sociedade mais justa
Essa agenda integra um movimento mais amplo no país de promoção da equidade racial desde a educação básica até outras esferas sociais. Iniciativas como a Estratégia Primeira Infância Antirracista, por exemplo, reforçam que enfrentar o racismo desde os primeiros anos de vida incluindo a educação formal é condição para garantir desenvolvimento integral, proteção e dignidade às crianças negras.
No contexto do DF, a parceria com a OAB-DF marca um momento importante de institucionalização da pauta racial nas políticas educacionais, um compromisso que, segundo gestores e educadores, deve garantir que cada estudante reconheça sua história, sua identidade e seu valor, contribuindo para o combate ao racismo estrutural e a construção de uma escola realmente inclusiva e plural.

