Suposta mesada milionária do “Careca do INSS” a Lulinha pode custar caro a Lula

Published On: 26/02/2026 13:38

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Citações em delação sobre repasses milionários ao filho do presidente elevam desgaste político e podem impactar disputa pelo Planalto

As investigações sobre um esquema de descontos ilegais em aposentadorias do INSS entraram em uma fase sensível e passaram a gerar preocupação no Palácio do Planalto. Reportagem do Metrópoles aponta que dois ex-dirigentes do instituto avançaram em negociações de delação premiada e teriam citado Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, além de políticos e intermediários, como beneficiários do esquema.
A apuração conduzida pela Polícia Federal investiga a atuação de entidades que realizavam descontos indevidos em benefícios previdenciários, desviando recursos de aposentados e pensionistas. A suspeita é de que o esquema tenha movimentado dezenas de milhões de reais em propinas entre 2023 e 2024, envolvendo servidores públicos, lobistas e agentes políticos.
No centro da trama está Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, que também negocia colaboração com as autoridades. Mensagens apreendidas nas investigações indicam pedidos de pagamentos de R$ 300 mil a uma empresa ligada a Roberta Luchsinger, herdeira milionária apontada como próxima de Lulinha. Há ainda relatos de um ex-funcionário de Antônio segundo os quais o lobista teria pago cerca de R$ 25 milhões, além de uma suposta mesada de R$ 300 mil ao filho do presidente.
A defesa de Fábio Luís nega qualquer envolvimento e informou que solicitou acesso aos autos no Supremo Tribunal Federal para verificar se ele figura formalmente como investigado. Até o momento, não há denúncia apresentada contra o filho do presidente.
Mesmo assim, o caso já produz efeitos no ambiente político. A possibilidade de o nome de Lulinha permanecer associado a um escândalo envolvendo aposentados amplia o desgaste do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no período pré-eleitoral. O tema surge em um momento em que pesquisas indicam crescimento da oposição e redução da vantagem do atual chefe do Executivo.
Aliados admitem, reservadamente, que o episódio pode ser explorado eleitoralmente, sobretudo diante do avanço de adversários como Flávio Bolsonaro nas simulações de segundo turno. A narrativa de que “escândalos familiares” voltariam a rondar o Planalto tende a ganhar espaço no debate público caso as delações avancem.
Em dezembro do ano passado, Lula afirmou publicamente que qualquer envolvimento de familiares em irregularidades seria investigado. A declaração, agora resgatada, reforça a pressão política sobre o governo. Enquanto as apurações seguem sob sigilo, o Planalto acompanha com cautela cada novo movimento do inquérito, ciente de que, confirmadas as suspeitas, o caso pode se transformar em um dos principais focos de desgaste da campanha presidencial.

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